Enfatizar informação com frases clivadas ("It was X that ...")
B2Enfatizar informação com cleft sentences ("It was X that ...")
As "cleft sentences" são construções usadas em inglês para dar ênfase a uma parte da frase. Em português elas costumam corresponder a frases com "Foi... que..." ou "Foi... quem...". Em vez de dizer a frase diretamente, dividimos a informação em duas partes para destacar o elemento importante.
O que são as "cleft sentences" e por que as usamos?
Uma cleft sentence separa a frase em duas partes: uma introduzida por "It is/was..." (ou por uma palavra relativa, no caso de pseudo-clefts) e outra que contém o resto da informação. O objetivo principal é marcar foco — mostrar qual parte da frase é a informação nova, importante ou contrastiva.
Exemplos curtos:
"It was John who called." — "Foi o João quem telefonou." (enfatiza JOHN)
"What I need is a holiday." — "O que eu preciso é de umas férias." (enfatiza HOLIDAY)
Usamos clefts quando queremos:
- corrigir ou contrastar ("Não foi X, foi Y");
- enfatizar uma palavra (quem, onde, quando, por que);
- enfatizar razão, objetivo ou destinatário.
Quando usar?
Use clefts quando for útil destacar uma parte da frase — especialmente em respostas, correções, ou para contrastar informação. Em conversação são muito comuns para corrigir e esclarecer:
A: "Who broke the vase?"
B: "It was Mary who broke it." — "Foi a Maria que o quebrou." (correção/identificação)
Também são boas em escrita para guiar o leitor: "It was under pressure that the decision was taken." — "Foi sob pressão que a decisão foi tomada." (dá ênfase à circunstância)
Como se formam?
Existem vários tipos de clefts. Os mais comuns são: it-clefts (o clássico "It was X that/who ...") e pseudo-clefts ("What ... is ..."). Vou explicar cada um com formação e exemplos.
Observações importantes
- Use "who" para pessoas, "which" ou "that" para coisas; "that" é muito usado para ambos em contextos restritivos.
- O verbo principal (is/was) concorda com "it". O verbo dentro da cláusula relativa concorda com o foco (singular/plural).
Exemplos
"It was John who broke the vase." — "Foi o João quem quebrou o vaso."
"It was the blue bike that she bought." — "Foi a bicicleta azul que ela comprou."
"It was yesterday that I met her." — "Foi ontem que a encontrei."
"It was in Paris that they got married." — "Foi em Paris que se casaram."
"It was because of the rain that the match was cancelled." — "Foi por causa da chuva que o jogo foi cancelado."
"It was to win the prize that he trained every day." — "Foi para ganhar o prémio que ele treinou todos os dias."
"It was to Mary that I gave the book." — "Foi à Maria que dei o livro."
Uso em correção/contraste:
"It wasn't John who stole the money — it was Peter." — "Não foi o João que roubou o dinheiro — foi o Pedro."
Pronome de pessoa: "It was I" vs "It was me"
Formalmente se usa "It was I" (nominativo), mas no inglês falado e informal "It was me" é muito comum: "It was me who called." / "It was I who called." Ambos são aceites; em escrita muito formal prefira "I".
Exemplos
"What I need is a holiday." — "O que eu preciso é de umas férias."
"What he said surprised me." — "O que ele disse surpreendeu-me."
"What bothered me was the noise." — "O que me incomodou foi o barulho."
"What I want to say is that we must be careful." — "O que quero dizer é que devemos ter cuidado."
Variações (inversão de foco)
"A holiday is what I need." — "Férias é o que eu preciso." (reverse pseudo-cleft)
It wasn't until... that... (enfatizar que algo só aconteceu mais tarde)
"It wasn't until Monday that she called." — "Só na segunda-feira é que ela telefonou."
Extraposição (não é exatamente cleft, mas usa 'it' como sujeito) — atenção à diferença
"It is important that you come." (extraposition) — aqui "it" é sujeito fictício; não é uma cleft para enfatizar uma parte concreta como um nome. Para enfatizar a cláusula poderíamos usar pseudo-cleft: "What is important is that you come." — "O que é importante é que vás."